E detestam-se os malvados cavaleiros e toureiros, porque se divertem à custa do touro; detestam-se os irritantes ativistas e defensores dos animais, porque já se matam animais para comer; detestam-se esses gajo que geram confusão porque... geram confusão, pronto. Mas nunca ninguém pensou em saber o que os touros pensam. E é isso que eu venho sugerir.
Na próxima tourada, porque acho que nunca vão acabar, entrevistem o touro. Como já sabe que vai pró galheiro daí a umajoras na arena, às tantas até tem sentimentos a quererem sair e até diz uma palavritas. Para descodificarem o que ele diz em tourês, é só chamarem um gajo cuja mulher já mijou fora do penico e ele traduz o que o touro diz. Eles são os tradutores de tourês, falam essa língua.
Podiam-se arranjar uns camarins, tipo um prado com vacas, como faziam com os gladiadores. Como havia orgias antes das lutas, também os touros têm direito a pinar com quantas vacas quisessem. Até podiam ser umas já gastas ou que iriam mesmo ser abatidas nesse dia. Mas algumas, vá. E porra, tinha que haver umas boas, que gostassem mesmo de levar com ele. Eu digo com o touro, não sejam porcos. Mas também com o bajolo, sim.
Levavam-lhe vinho também, porque, se os forcados o bebem antes da tourada, o touro também o podia beber. Deixem-no ir com os copos, até. Assim nem sente tanto as farpas e as espadas todas que lhe espetam. E vinho do bom, nada daquele manhoso de pacote. Os touros são animais machões, não bebem essas mariquice que metemos na sangria. O touro merece vinho do melhor. E sem rótulos. Porque nos rótulos estão sempre as quintas onde, muitas delas, se matam os touros.
Eu não gostaria de beber minis nem imperiais se soubesse que há pessoas que morrem para se fazer cerveja. Mas há cerveja bem melhor que gente, sem dúvida. Mas continuando.
Nada de papéis encarnados nos camarins. O bicho tem que estar relaxado e não estar a ir sempre com a cabeça contra as paredes, que ele embirra com a cor. Certamente ninguém estaria numa orgia e, quando uma das mulheres dissesse: "E agora, o que é que queres fazer comigo...?", respondia: "CONTIGO NÃO, EU QUERO É IR DAR MARRADAS ÀS PAREDES. OLHA PARA AQUELE ENCARNADO IRRITANTE!"
Fica o meu apelo. E agora, vou continuar a malhar vinho, daquele manhoso de pacote que se mete nas sangrias. Eu bebo-o pelo touro. Eu faço isso por ele.


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