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Os objectos que são nossos amigos

Vivemos num mundo físico, onde objectos inanimados não nos servem para mais nada, a não ser para a funcionalidade a que estão destinados. Mas eles merecem mais valor e eu vou-vos explicar porquê.

Por exemplo: um garrafão de vinho não tem que ser só para guardar o vinho ou para se beber vinho por lá. Poderá ter outras funções, como nos defender. Um já me defendeu uma vez. Eu vou contar essa história.

Eu odeio aqueles pais demasiado orgulhosos pelos filhos. Acho bem que mostrem carinho e orgulho por eles mas, quando isso não se justifica, é idiota. Há um amigo do meu pai que está sempre a elogiar o filho. Merda, eu não conheço o miúdo e já não o posso ver à frente.

-Ó Tomé, sabes que o meu filho já abotoa os atacadores sozinho? E já sabe dizer o abecedário todo! -EPÁ TÁ BEM, MAS O SEU FILHO TEM 26 ANOS.
Não posso com estes gajos. E foi numa destas vezes que entrou o garrafão e a forma como, mesmo sendo um objecto inanimado, me defendeu. 

No outro dia, este gajo voltou a falar do filho.

-Ó Tomé, sabes a última do meu filho? -Não, conte lá. (E pensei: "Só sei que se chama Ruben Samuel. LOGO DEVES MESMO GOSTAR DELE À BRAVA, DEVES) -Diz o alfabeto grego todo.


E foi aqui que eu olhei à volta, a pensar em algo para lhe dizer, que vi o garrafão. Peguei nele e disse-lhe: 
-Grande coisa. Este garrafão diz "Vinho Tinto". E nem tem estudos, sequer.

Outro objecto que poderá ser bastante útil, principalmente para nos levantar a auto-estima, são os carros com os números de telemóvel nos vidros. Porque eu sei bem como pode custar, por vezes, arranjar um encontro com uma moça bonita. E quando não o conseguimos, a nossa confiança pode decair.

Quando for assim, vão a um stand. Mesmo sem pedirem, o carro está-vos a dar automaticamente o seu número de telefone. Como que um convite para saírem com ele, já que não deu com a mulher. Ele não só vos está a dar atenção como está a ser sensível aos nossos sentimentos.

Podia ajudar imenso:

-Chegaste a sair com a Mariana?
-Epá não, mas saí com um Opel Corsa, só com dois anos!


E sabiam que dá multa pôr os números assim nos vidros? A sério. O que eu entendo, trata-se de um tipo de prostituição, vá. Acho que as pessoas não iriam gostar de me ver a andar, pela rua fora, com um número de telemóvel agarrado ao bajolo. Mas eu valorizo a atitude do carro.

Os mais fofinhos são os que dizem: "Trata" e o número. Estes já querem uma relação mais séria, estão lá para o caso de adoecermos. Querem conchinha na garagem. Isso é fofo.

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