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A falta de amor por Sara Carreira

A morte da jovem Sara veio trazer reacções diferentes. Cada um lida com a morte à sua maneira, certo, mas acho que é necessário ter em atenção alguns indicadores nestes casos.

Apesar de se ter dito no próprio dia, ainda não se apurou que o carro circulava em excesso de velocidade e até já foi dito que bateu num outro carro que esse, sim, se tinha despistado por excesso de velocidade. Mas a questão não é essa. A questão é que houve pessoas que invocaram a eterna questão, quando se fala em acidentes, que o carro onde seguia a Sara podia ter morto alguém, que ela e o namorado andavam sempre   em excesso de velocidade e que, como tal, não podiam esperar outro desfecho.

Vamos lá a ver uma coisa: eu entendo quem já tenha perdido pessoas em acidentes e, quem anda depressa, está mais sujeito a causá-los. Mas isto foi isso mesmo, um acidente. E a bem da verdade, todos nós já circulámos em excesso de velocidade. Até porque, em carros muito bons, como era o da Sara Carreira, qualquer pessoa se sente seguro a andar a bem mais de 120 km/h, velocidade máxima permitida nas auto-estradas portuguesas.

Atenção: eu não sou defensor do excesso de velocidade. Mas sou defensor do bom senso e todos dependemos dele e o queremos para contra-análise. E disseram que este casal se orgulhava de viajar Porto-Lisboa e vice-versa a alta velocidade. Se me mostrarem onde isso está exposto, serei o primeiro a criticar a atitude e aí já digo: "Bem, a fazerem isso, o que é que estavam à espera, não é? Um dia, iria acontecer." Mas até lá, não. Até lá digo os factos que se conhecem: foi um acidente e os acidentes acontecem.

Mas o pior nem são estes pontos de vista que algumas pessoas levantaram. O pior é ignorarem completamente o péssimo timing em que os fazem, numa altura em que é de mitigação e não de crítica. Isso é depois. O momento já é mau o suficiente. Este luto é para se respeitar, conhecendo-se ou não o Tony Carreira ou os amigos da Sara.

Depois sim, poder-se-ão elaborar opiniões sobre isso publicamente, pensar no que poderia ou não ter acontecido. Mas agora não. Parece que há gente que não gosta de amor, que quer que estas coisas aconteçam. Há gente que está à espreitinha que aconteça merda para saírem da toca e começar a mandar postas de pescada. A Sara, e todos os que morrem em acidentes de forma inocente, não merecem isso. Deixem-nos ir em paz, não os carreguem com julgamentos desnecessários.

Até um dia, pequena.

 

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