Se hoje em dia temos saudades das discotecas devido ao vírus, isso, para mim, não é nada. Saudades a sério sinto é das matinés das discotecas, aquelas sessões antes da discoteca abrir até às tantas para os maiores de 18 anos.
Eu devia ter uns 14 anitos quando fui, pela primeira vez, a uma discoteca. Ia ao Bauhaus, no Monte Estoril, que abria às 21:30 e fechava à meia-noite. Pagavam-se 1000 escudos, quantia equivalente a 5,00 € hoje em dia, e tínhamos direito a 10 bebidas sem álcool. HARDCORE. Numa noite, SOZINHO, MALHEI 6 COCA-COLAS, 2 SEVEN-UPS E 1 ICE TEA. E DE LIMÃO, QUE SÃO OS MAIS FORTES. Pimba, vai buscar...
Hoje ficamos bêbados que nem cornos e não aproveitamos porque não paramos de beber. Ou vomitamos ou conduzimos bêbados ou gastamos 50,00 € em shots e vamos depois vomitar ou conduzir bêbados.
Porque nós, hoje em dia, apanhamos estas tolas enormes. Antes, ficávamos com gases. Isso é que era brutal. Sabem quando estamos aos beijos com miúdas e sentimos aquelas borboletas no estômago? Na altura, sentíamos mesmo! Mas eram aqueles peidos cá dentro a quererem sair. Eram as nossas borboletas.
Hoje em dia, a meio da noite, vomitamos. Antes, ficávamos de caganeira. Não se lembram dessa vida? Quando víam um gajo a vomitar e vocês, a cagar atrás de um carro: "EH EH GRANDA MENINO! A VOMITAR... GRANDA PANELEIRO. CAGAR É QUE É, OLHA PRA ESTA MERDA!" E era merda mesmo, literalmente...
Hoje em dia, no dia a seguir, ficamos com ressacas. E eu já não posso com a merda das ressacas. Antes? FICÁVAMOS COM CÓLICAS. Isso é que era, estar sentado na sanita no dia a seguir e a pensar, com um sorriso de satisfação: "Ah... ontem é que foi... aquele moche ao som do Bryan Adams e dos Offspring..."
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